


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana

“Não me fale do seu medo
Eu conheço inteira sua fantasia”

Há alguns dias tenho reparado no egoísmo das pessoas, no nosso egoísmo.
Ficamos tão obcecados com os nossos problemas, no mundinho que se resume ao nosso umbigo, que raramente olhamos para o lado.
Perguntamos para o outro se está tudo bem, por simples educação. E não percebemos que a resposta habitual “está tudo bem”, veio carregada de uma insegurança ou até uma ânsia do outro em desabafar.
Não reparamos e muitas vezes não queremos mesmo saber.
Só queremos ter alguém para ouvir os nossos tão grandes problemas, nossas lamúrias de como o mundo nos é injusto.
E nem mesmo aqueles que consideramos nossos grandes amigos, conseguem escapar desse nosso egocentrismo.
“É muito egoísmo querer ter amigos, sem antes nos perguntarmos se algum dia, nós, os solitários do mundo, tivemos a disponibilidade de sermos amigos de alguém.”
Eu prometo me policiar e ser menos egoísta, e você???
“O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou
Por isso meu bem
Faz o favor de entrar na roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vai embora”

“Lá onde o vento vai dar
Onde a nuvem beija o mar
Onde fica o fim do mundo
Onde o escuro é mais profundo
Eu estou a lhe esperar...”

Ela vivia em pleno romance.
Se era um romance de dois, de dois lados, não estava bem certa.
E quem disse que pra se viver um romance, precisa de dois???
Era gostoso acordar e pensar nele, e isso se prolongar por todo o dia. Uma música, uma lembrança de uma conversa, um email.
Claro que ficaria imensamente feliz se soubesse que seu romance tinha dois lados. E que ele, do lado de lá, também pensava nela com certa frequência, com saudade...
Mas, enquanto nada era certo e o seu romance lhe fazia bem, não tinha porque acabar.
E que fosse feliz, enquanto durasse...

Eu queria ter dito tantas outras coisas
Dizer mais de mim, de nós
De como seria
Ou como eu imaginei que seria.
Mas não houve tempo
O seu mundo girou mais rápido que o meu
Sua urgência me atropelou
E eu me perdi.
Eu perdi.

Começo a recolher todas as pistas que deixei por ai.
Pedacinhos de mim. Fragmentos. Pedaços quase inteiros.
Acabei me esparramando demais. Mostrando demais.
E até senti demais, mesmo sabendo que não deveria.
Eu disse que sempre soube como seria, não disse?
E de que adiantou saber?
Eu fiz tudo mesmo assim.
Agora o inverno se aproxima. Faz frio.
Hora de “me juntar”.
Me preciso inteira de novo.